13 setembro 2010

DESIGN BRASILEIRO - Anos 30 e 40



Homenagens aos 110 anos de Design Brasileiro


ANOS 30 A 40 
 Rio e Minas  no Cenário Modernista


                        Em 1930 o modernismo deixa de ser exclusividade de São Paulo e parte rumo aos outros estados, com a contribuição fundamental do Rio de Janeiro, Capital Federal da época, a convite de Lucio Costa Gregori Warchavchik  assume a cadeira de projetos da Escola Nacional de Belas-Artes difundindo assim os conceitos aplicados em duas casas paulistas. Construindo assim a Casa de Norsdchild em Copacabana na Rua Toneleros  o conjunto de apartamentos da Gamboa. 

Casa de Norsdchild





GAMBOA - RIO DE JANEIRO
















                         A liderança de Lucia Costa e a presença de Warchavchik foram decisiva ´para a formação do grupo de arquitetos cariocas, do qual Oscar Niemeyer. Em meados de 30 um jovem político Gustavo Capanema com apenas 35 e o mais jovem ministro da Educação é responsável pela mudança de rumos  do cenário mundial da arquitetura moderna, forma uma comissão de arquitetos orientados por Le Corbusier para a construção da sede do Ministério. Após 6 anos o polêmico  prédio é entregue.

  



  


Ministério da Educação e Saúde



Ministério da Educação e Saúde: pilotis e azulejos de Portinari. Inaugurado em 1943.

Em 1936, o escritório onde Niemeyer trabalhava como estagiário, dirigido por Lúcio Costa e Carlos Leão, foi chamado pelo ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (que anulara o concurso público ganho por Archimedes Memoria), para projetar o novo edifício do Ministério da Educação e Saúde. Este projeto estava inserido no contexto político do Estado Novo, quando Getúlio Vargas, presidente do Brasil, usava a arquitetura e o urbanismo como ferramentas para ilustrar os novos rumos da nação em uma fase intermediaria, que buscava se transformar de potência agrícola exportadora de café em um país industrializado.
Equipe: 
 Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos, Jorge Moreira, Carlos Leão e Niemeyer.


              O projeto segue os 5-pontos corbusianos, já realizados no Pavilhão Suíço, um prédio de apartamentos em Paris projetado por Le Corbusier em 1930. O edifício do MEC, terminado em 1943, eleva-se da rua apoiando-se em pilotis: sistema de pilares de concreto que mantém o prédio "suspenso", permitindo o trânsito livre de pedestres por baixo do mesmo (um espaço público de passagem). O prédio uniu os maiores nomes do modernismo brasileiro, com azulejos de Portinari, esculturas de Alfredo Ceschiatti e jardins de Roberto Burle Marx e é considerado o primeiro grande marco da Arquitetura Moderna no Brasil. 

Esculturas de Alfredo Ceschiatti 


Jardins de Roberto Burle Marx 


Mural de azulejo concebido por Cândido Protinari

Centro do Rio de janeiro - Prédio do antigo MEC onde funciona o IPHAN .



Nos meados de 1940 em Minas Gerais entre também no cenário o modernismo, em Belo Horizonte o prefeito Juscelino Kusbistschek convida Oscar Niemeyer para construir o bairro de Pampulha em apenas dois anos, ás margens de uma lagoa criada artificialmente, surgiram um cassino, uma casa de baile, um clube náutico, um hotel e uma igreja.



Oscar Niemeyer

Complexo da Pampulha


                   Após 65 anos, Oscar Niemeyer ainda se refere a Pampulha com um carinho especial . 
"Foi praticamente o meu primeiro trabalho. Ao projetar a Igreja, a Casa do Baile e o Cassino, eu já mostrei que prefiro uma arquitetura diferente, criando surpresa , procurando atingir o nível superior de obras de arte. A Pampulha fez tanto sucesso que JK veio ao meu escritório e disse: "Oscar, nós fizemos a Pampulha, agora vamos fazer a nova capital (Brasília)", relata. 

"A Pampulha significa a maturidade e a modernidade da arquitetura do Brasil. Influenciou até mesmo os pioneiros , modificando o jeito de fazer arquitetura no Brasil"

A Igreja de São Francisco da Pompulha


 
Excelente criação


O Museu de Arte da Pampulha, antigo Cassino da Pampulha, 





O Abraço, de Ceschiatti.

Nu, de August Zamoyski.

CASA DE BAILE


                      A Casa de Baile se localiza em uma ilhota acessível por uma ponte para pedestres, os outros se distribuem em diferentes promontórios, entre o lago e a avenida arborizada circundante. 


 







CLUBE NÁUTICO 

                    O Iate Tênis Clube, inicialmente chamado Iate Golf Club, foi inaugurado em 1943. A construção tem a forma de um barco que se lança pelo espelho d’água. Completando a beleza do lugar, o paisagista Roberto Burle Marx deu o tom colorido ao Iate, ao se responsabilizar pelos jardins e ainda pintar o painel: "O Esporte", restaurado há dois anos. 


 



  

Ele foi o responsável também pelo Parque da Pampulha, em Belo Horizonte


IGREJA DE SÃO FRANCISCO - IGREJA DA PAMPULHA 



  

Igreja de São Francisco de Assis, marco da arquitetura moderna repleto dos mais significativo painéis de Portinari. Todos estes elementos se contrapõem entre o profano e  consagrado em torno da lagoa construída em 1940 .



HOTEL DA PAMPULHA



                O trabalho não ficou somente nas mãos de Niemeyer. Joaquim Cardoso colaborou como engenheiro de estruturas e Burle Marx ficou incumbido do paisagismo. Outros artistas também participaram. É impossível não se encantar com os painéis de Cândido Portinari e as esculturas de Zamoiski, José Pedrosa e Ceschiatti




José Pedrosa, mineiro

Esses prédios marcaram o nascimento de um estilo brasileiro
 com a assinatura de  Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares.

Patrimônio modernista em Cataguases



          Outro pólo de arquitetura moderna que também se notabilizou foi a pequena cidade na zona da mata mineira foi Cataguases, dentre ou edifício erguidos na cidade se destaca a Casa de Francisco Peixoto, o colégio de Cataguases  projetada por Niemeyer em 1941.

Croquis de Oscar Niemeyer para a Residência de Francisco Inácio Peixoto 
   

 
Residência Francisco Inácio Peixoto, sala de estar, 1941. Arquiteto Oscar Niemeyer 

                    No interior dos prédios , predominava o mobiliário colonial. A primeira residência decorada com móveis feitos no brasil foi justamente a casa de Cataguases, que recebeu modelos exclusivos pelo português 


JOAQUIM TENREIRO (1906-1992)

"Procurei fazer um móvel diferente daquele que se produzia. O móvel que até então se fazia guardava vícios do passado. Eram pesados, desproporcionais tanto no assento quanto no encosto ou braços. Então criei um móvel mais leve, mais funcional e mais cômodo. Afinal, o móvel,como muitas outras coisas de uso humano, tinha de se adaptar aos tempos, tomar novos rumos". O artista nascido em Portugal, mas radicado no Brasil, atuou como designer, pintor e escultor, exerceu a profissão de marceneiro, herdada da família, e depois a de projetista de móveis, em diversas empresas no Rio de Janeiro.

Pode-se dizer que Joaquim Tenreiro foi o verdadeiro criador do móvel moderno. Sua preocupação não era só com a beleza, mas também com o conforto e a funcionalidade dos móveis. Com um desenho simples, mas de linhas harmoniosas e extremamente refinadas, Tenreiro utilizava materiais de qualidade para criar móveis leves e arejados.
Hotel Cataguases, sala de estar, 1951. Arquitetos Aldary Henrique Toledo e Gilberto Lyra de Lemos, Mobiliário de Joaquim Tenreiro


Mobiliário de Joaquim Tenreiro para o Colégio de Cataguases (arquiteto Oscar Niemeyer). Ao fundo, detalhe do painel “Tiradentes” de Cândido Portinari [Arquivo do Autor]


 




LÚCIO COSTA






             Filho de brasileiros em serviço no exterior, Lúcio Costa nasceu em Toulon, França na embaixada do Brasil em 27 de fevereiro de 1902.   Ve
ncedor do concurso nacional para a elaboração do Plano-Piloto de Brasília onde se tornou mundialmente c
onhecido ao desenhar em formato de avião dando forma a Brasília.
 Lúcio Costa desenha os móveis e o prédio do Park Hotel e projeta  de Nova Friburgo, RJ 








FLÁVIO DE CARVALHO


Flávio de Resende Carvalho nasce em Barra Mansa e completa os estudos na Inglaterra. Flávio de Carvalho ( como era chamado) foi a figura mais polemica dos anos 30.Arquiteto e artista plástico fluminense (1899-1973). É famoso por sua arte polêmica e inovadora e por seus projetos ousados, como o Palácio da Municipalidade de São Paulo (1927). Cursa engenharia na Universidade de Durham e artes plásticas na Escola de Belas-Artes Rei Edward. De volta ao Brasil, em 1922, fixa residência em São Paulo, onde é influenciado pelo movimento modernista.



        Flávio de Carvalho é conhecido por suas atitudes irreverentes agitando as ruas de São Paulo trajando saiotes idealizados como roupas masculinas, mas creio que antes de tudo devemos conhecê-lo como pintor. Esta foi a atividade mais sistemática de sua carreira fragmentária.  Suas pinturas são desde o começo dos anos 30 uma explosão cromática. "Escolho a cor predominante para iniciar o retrato e coloco-a com volúpia de formas sobre a tela", esta frase do próprio artista dá uma pista de seu modo de composição. A volúpia da cor se sobrepõe a restruturação das formas. Fica tudo dançando diante do olhar, e é uma dança um tanto macabra, vertiginosa mesmo, que provoca o nosso equilíbrio psíquico.


FLÁVIO DE CARVALHO
Retrato do prof. Pietro Maria Bardi, 1964

óleo sobre tela
MAB - FAAP

FLÁVIO DE CARVALHO
Retrato de Burle Marx, 1952

óleo sobre tela
90 x 70 cm
Coleção Sérgio Fadel

FLÁVIO DE CARVALHO
Retrato de Mário de Andrade, 1939

óleo sobre tela
Pinacoteca Municipal / Centro Cultural São Paulo


FLÁVIO DE CARVALHO
Retrato de Murilo Mendes, 1951

óleo sobre tela
100 x 70 cm
Coleção Gilberto Chateaubriand

Mobiliário



Estrutura de ferro e encosto de percintas de couro compõem a cadeira desenhada para sede da fazenda de Capuava

Casa de Capuava

    


Coleção Design Assinada, com peças de Paulo Mendes da Rocha e o modernista Flávio de Carvalho.



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