15 setembro 2010

DESIGN BRASILEIRO - Anos 20

110 ANOS DE HISTÓRIA
DESIGNER DOS ANOS 20 AOS DIAS DE HOJE

                   
ANOS 20  - A Influência dos estrangeiros

                A semana entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922 marcou a mais radical ruptura na história da nossa cultura.  Liderado por Mario e Oswald de Andrade e intelectuais e artistas decretaram o fim da influencia colonial lusitana e buscaram uma alma nacional para as artes. 


                 
                  Mario e Oswald de Andrade

                     Curiosamente, esses jovens filhos de burgueses paulistano trouxeram da Europa as ideias do modernismo "O movimento moderno baseou-se na ideia de que as formas "tradicionais" das artes plásticasliteraturadesignorganização social e da vida cotidiana tornaram-se ultrapassadas, e que se fazia fundamental deixá-las de lado e criar no lugar uma nova cultura.com o objetivo de achar o que seriam as "marcas antigas" e substituí-las por novas formas, e possivelmente melhores, de se chegar ao "progresso".  
                   Os adeptos deveram dar um grito de independência cultural da metrópole industrial contra o atraso do resto do país. Dois jovem europeus desembarcaram no Brasil marcando assim o cenário cultural da época. São eles Gregorio de Warchavchik e Lasar Segall.


Gregorio de Warchavchik - Na arquitetura


  Arquiteto russo-brasileiro nascido em Odessa, hoje na Ucrânia, considerado o primeiro arquiteto modernista da América Latina. Diplomado pela Universidade de Odessa (1918), No Brasil  publicou o primeiro artigo da arquitetura modernista do país, onde descrevia a casa como um bem de consumo qualquer. Construiu a Rua Santa Cruz, Vila Mariana em São Paulo, a primeira residência modernista do Brasil. e da América Latina (1927), que surge como uma revolução no panorama arquitetônico paulistano. Indicação de Le Corbusier e foi convidado por Lúcio Costa para lecionar na Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro (1931). Brasil foi o  país que escolheu para morar (1923) e faleceu em São Paulo (1972).  

          A casa projetada com um pavilhão de arte moderna foram exibidas telas de Tarcila do Amaral e Anita Mafalti e outros expoentes da Semana de 22. A maioria dos moveis que decoravam o interior era assinado pelo próprio arquiteto.

          O evento, intitulado Exposição de uma casa Modernista recebeu mais de 20 mil visitantes. 


 


 
Detalhes  da casa


Fotos de Warchavchik expostas na rua Itápolis




Casa da rua Itápolis, de Gregori Warchavchik



MOBILIÁRIO


O espírito revolucionário de Warchavchick deu base ao estilo moderno da mobília brasileira. Esta cadeira é uma peça clássica que recorda as décadas de 20 e 30. Tem um desenho moderno para a época em que foi lançada, apesar de trazer aos ambientes um ar nostálgico.   




Lasar Segall  ( 1891-1957)


      Nascido em Vilna, capital da Lituânia, Artista completo, Lasar Segall experimentou todas as formas de expressão de sua época. Pintor, desenhista, gravador e escultor, cenógrafo, e design de mobiliário foi um mestre do Expressionismo e um dos introdutores do Modernismo no Brasil, vindo a ser um símbolo para toda uma geração.






















                



Lasar Segall, A Família
Lasar Segall, Mercadores

Lasar Segall, perfil de Zulmira


Mobiliário
Em 1932, Lasar Segall desenhou uma série de móveis para sua residência da Rua Afonso Celso: poltronas, uma mesa de centro, uma mesa e um sofá, construído em duas versões: em uma única peça e em três módulos, que podem ser dispostos à maneira de uma conversadeira.




Todos os móveis são em madeira, pintada com tinta preta, e os assentos estofados em tecido de cânhamo bege. As linhas são retas, e o design se caracteriza pela sobriedade e funcionalidade, em nítida filiação com o espírito da Bauhaus. 




Nesse cenário que perdurou até as década de 30 e 40 o conceito inovador das casas de  Warchavchik  causou furor a ate indignação. Fato parecido aconteceu com o interiores decorados pelo suíço Jonh Graz (1895-1980) um introdutor o estilo da art déco entre nós.


 

                   O suíço John Graz chegou ao Brasil em 1920 vindos da escola de Belas Artes de Genebra em companhia de seu amigo Sérgio Milliet e da namorada, Regina Gomide a quem veio se casar. Apaixonado pelo Brasil nunca mais voltou à Europa a não ser a passeio com sua esposa. Veio na intenção de pintar os trópicos que os amigos brasileiros descreviam.   Ambos se interessam pelas tendências cubistas e orientais, na arte e decoração, que acabariam por eclodir em 1925 com o estilo Art Déco


     Em São Paulo, mergulhou no clima festivo e revolucionário dos modernistas e acabou participando da Semana de Arte Moderna de 1922, quando expôs sete telas no saguão do Teatro Municipal de São Paulo.
             Em virtude dos trabalhos como decorador, Graz afastou-se da pintura - retornando somente em 1969. Tentou algumas experiências com a abstração geométrica, mas rapidamente retomou a figuração. Entretanto, não se pode esquecer sua importância no Modernismo Brasileiro, em especial por ter sido o responsável por levá-lo para dentro das casas, nos objetos de uso cotidiano. Sua formação em arte, design e arquitetura levou-o a decorar as casas modernistas projetadas por Gregori Warchavchik, onde introduziu móveis de estilo art déco. É apelidado 'Graz, o futurista'. Introduziu inovações na arquitetura de interiores, como a iluminação indireta de ambientes, o uso de materiais diferenciados - metal, cobre, tubos, chapas de aço e superfície cromadas - além de realizar afrescos, em geral com motivos históricos. 




E revolucionou usando aço tubular no desenho do mobiliário. Regina completava a decoração com tapeçarias, almofadas, cúpulas de luminárias e tapetes. 

Detalhista e rigoroso  gostava de desenhar todo o interior da residência: do rodapé à luminária, de mesas e cadeiras ao tapete - o que nem sempre era bem aceito pelos clientes.


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