11 setembro 2010

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Botticelli

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               Alessandro di Mariano Filipepi, conhecido como Sandro Botticelli, nasceu em Florença em 1445. Pouco se sabe dos primeiros anos de sua vida. Por volta de 1465 entrou para o ateliê de Filippo Lippi, cujo estilo elegante marcou claramente suas primeiras obras. Mais tarde trabalhou como ajudante de Andrea Verrocchio e conheceu Piero Pollaiuolo, criadores que o influenciaram.
     Aos 25 anos, Botticelli já possuía ateliê próprio. Entre as primeiras peças ali produzidas destacam-se a alegoria de "A fortaleza" e o "São Sebastião", que refletia a mestria de Pollaiuolo na anatomia e no movimento da figura. Por volta de 1477 pintou uma de suas obras mais conhecidas, "A primavera", em que apresentou Vênus, diante de uma paisagem arborizada, em companhia das Três Graças, Mercúrio e Flora, entre outras personagens mitológicas. O quadro era uma alegoria do reino de Vênus e a deusa representava a humanitas, isto é, a cultura florentina da época.
       Botticelli morreu em Florença em 17 de maio de 1510 com 55 anos, quando triunfava na Itália a estética do alto Renascimento, a que suas últimas obras não foram alheias, pois várias delas mostram um alargamento de escala e uma imponência típicos da nova fase.


O NASCIMENTO DA VÊNUS

              A cena retratada na pintura mostra Vênus, que nasce de uma enorme concha, sendo conduzida pelos ventos – os Zéfiros –, aqui representados por dois amantes. A deusa tem a seu lado direito, vinda do continente, a casta Hora, trazendo um manto florido para cobrir a sua nudez. Os ventos sopram rosas que perfumam todo o mar. Para Botticcelli  Vênus nasce de uma enorme concha, cujo simbolismo pode evocar as qualidades fecundantes, criadoras da águaA concha é ainda identificada, por sua forma e profundidade, com a vagina
                Com relação ao nascimento da deusa, duas versões podem ser destacadas. 

  1. Mais antiga, mencionada em Apeles, é aquela presente no relato de criação de Hesíodo, aTeogonia. Nesta versão, Vênus/Afrodite nasce das espumas do mar, que são, na verdade, a mistura do sêmen e do sangue derramados de Úrano (o Céu), castrado por seu filho Cronos/Saturno numa disputa de poder. 
  2. Em uma outra versão, encontrada na Ilíada, a deusa do amor nasce da união de Zeus e Dione.
As personagens que a acompanham só vêm corroborar esta visão. Do lado esquerdo, estão os amantes Zéfiros, que exalam o sopro, o espírito da paixão – materializado nas rosas –, através do qual a deusa recém-nascida é movida e inspirada. 

Do lado direito, vemos Hora representando a castidade, pronta a cobrir a nudez/sexualidade da deusa. Seu vestido, assim como o manto que carrega – ambos cobertos de flores –, podem ser ainda uma alusão à primavera, estação onde os poderes sensuais de Vênus estão no auge.

Todo o lirismo e poesia presentes na obra de Botticelli – "que se concentra menos na ação e mais no sentimento, através da adoção de uma atitude contemplativa" (ibid.:121) – fazem, em última análise, uma apologia da beleza que a figura de Vênus encarna. É a beleza que toma forma na água informe, fluxo contínuo, gerador de todas as coisas. "O Nascimento de Vênus" é uma alegoria, pela qual a mensagem divina desta beleza tão festejada chega ao mundo, através da síntese amorosa promovida pela já mencionada união dos contrários. Vênus é o poder que imprime a ordem transcendente nas coisas visíveis, traduzindo nas formas o spiritus perfumado e florido do divino.  


Dizem ainda que na sua concepção Vênus estava totalmente nua, com seu sexo exposto, esta versão foi contestada por Lorenzo di Pierfrancesco de Medici que havia encomendado a obra e para corrigir Botticcelli pintou seus longos cabelos.







Painel de Sandro Botticelli (Itália/1444-1510) para a lenda do Decameron